Escolha uma Página

Sim! Está tudo bem. Por que não estaria?

Será que eu não posso simplesmente ter a necessidade de angariar recursos para sobreviver, alimentar minha família ou até mesmo para fazer acontecer o meu sonho, aquilo que almejo, aquilo que realmente amo?

Não é nenhum crime permanecer na execução de tarefas diárias que não lhe tragam prazer.

O crime maior está em desconhecer que isso acontece e negar-se a procurar algo que lhe traga satisfação.

Pode ser que haja um abismo entre seu mundo ideal e o mundo real, mas a construção da ponte que liga essas extremidades deve começar no mundo real, aquele no qual não nos sentimos confortáveis. Admitir que você não gosta do que faz é até uma necessidade para te levar à libertação ou ao seu mundo ideal.

Nos dias de hoje, vivemos uma ditadura do bem estar, a qual ao invés de realmente oferecer qualidade de vida, cria máquinas em pane que mal conseguem entender a realidade na qual estão vivendo.

Isso porque é tanta informação de todos os lados dizendo que é preciso fazer, mudar, ter sucesso, ter saúde, sorrir e ficar milionário que mal percebemos que a busca por tudo isso tem gerado o seu oposto perfeito: cansaço, inércia, doenças, falências.

As pessoas estão sendo induzidas e obrigadas a buscarem essa vida perfeita e não mais motivadas a se moverem em busca daquilo que pode ser o próximo passo ou mesmo daquilo que é simples e está a poucos passos do real.

A idealização deste mundo perfeito já não é mais sonho e sim obsessão, consequentemente, uma doença.

Torna-se cada vez mais insana e acelerada a busca pelo sucesso e felicidade tão prometida, para a qual se paga o preço de muitos bem materiais e não materiais cultivados, muitas vezes, por uma vida.

O preço de se tomar uma decisão equivocada gerada pelo descontentamento, estresse, ansiedade e tristeza excessiva pode ser cobrado com juros e levar em segundos aquilo que se construiu em décadas.

Antes de jogar tudo para o alto, é preciso saber se de fato o incômodo que sentimos está na atividade realizada ou se nossos valores estão desalinhados com o que fazemos ou ainda se outras áreas da vida não estão desequilibradas gerando peso no profissional.

É preciso ter um planejamento estratégico que analise as consequências de uma atitude radical.

Repito: o fato de não gostar da sua ocupação profissional não necessariamente significa que você tenha um problema ou que tenha que deixar de fazer o que faz.

Ao contrário, esta pode ser uma grande oportunidade para gerar um impulso renovador na sua vida, o qual deve ser seguido de planejamento e foco.

O que está acontecendo é que as pessoas estão desesperadas por sucesso, satisfação, dinheiro e liberdade, o que as leva a acreditar que uma mudança brusca de carreira seja a solução ou, ainda pior, que existam fórmulas mágicas para o sucesso.

Acredite, não há. O que há são pessoas que influenciam as outras a agirem pautadas em seus resultados e maquiando sua real jornada até o sucesso.

Fato é que devemos buscar a melhoria contínua e a percepção da evolução em todas as áreas de nossas vidas e não apenas na profissional, o que não significa que tenhamos que nos submeter a um regime rigoroso de cumprimento de metas para saciar a fome de falsa felicidade presente em nossa sociedade doente.

Eu posso não estar bem no meu casamento e não necessariamente tenha que trocar de cônjuge. O mesmo vale para os familiares, amigos, cursos de graduação e tudo mais.

Ao perceber uma inquietação ou insatisfação em qualquer área da sua vida, faça um exame real das condições que levam a esses sintomas, buscando sua origem e correlações.

Desta maneira, pode-se pensar se o antídoto deve ser analgésico ou antibiótico, se será preciso uma cirurgia de extração ou um simples curativo.

Não gostar do que você faz é mais normal do que você imagina. O que não é normal é permanecer sem buscar o entendimento do porquê você se sente assim.