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Eu confesso que demorei um pouco para entender e até aceitar a verdade que existe na afirmação que serve como título deste texto.

Claro! É muito mais fácil imputar a bendita culpa no outro do que assumir a responsabilidade de enfrentar seus fantasmas.

Mesmo quando admitimos algo do tipo: “eu sei que preciso resolver isso comigo”, sempre fica aquela voz dentro da nossa cabeça afirmando: “mas se fulana não tivesse agido assim” ou “sicrano não poderia ter feito isso comigo” e ainda “beltrano não tinha esse direito”.

Direito de quê? Quem se permitiu sentir fui eu. Quem gerou expectativa fui eu.

E você pode até contra argumentar dizendo que o outro alimentou essas expectativas, mas certamente você permitiu que ele o fizesse.

Vou dar um exemplo. Imagine a cena: uma pessoa observa a chuva cair em uma tarde fria de inverno. Ela olha para o amigo ao lado e diz: “a chuva me deixa triste”. Agora, explique-me de que maneira a chuva deixa a pessoa triste. Não há como isso acontecer.

A única explicação cabível é que a chuva desperta uma âncora de tristeza, mas isso acontece no meu interior. Sou eu comigo e minhas emoções. O amigo pode responder: “eu adoro dias assim, sinto-me muito mais motivado a produzir”. A chuva não tem como deixar ninguém triste. Eu me faço triste ao ver a chuva.

Ao dizer tudo isso, não tenho a intenção de convidar a todos para fecharem seus corações para as pessoas. Estou apenas alertando para o fato de que a emoção é minha e a responsabilidade sobre ela também.

Pessoa alguma tem poder de entrar em você e mexer nas suas emoções se você não permitir que ela faça.

Mas a vida não é justamente isso? Abrir-se para viver e experimentar nossas sensações e emoções? Exatamente! Faça-o consciente de que as pessoas também têm suas emoções e não fique refém do outro.

A solução para isso não é se vestir de armaduras e proteções para se relacionar. Ao contrário, quanto mais aberto você estiver para a vida, maiores serão as chances de sintonizar com uma energia similar à sua e viver experiências inesquecíveis.

O que devemos saber é que quem está no controle de nossas emoções somos nós mesmos. Além disso, é preciso haver a consciência de que toda emoção tem o seu ciclo de existência relativa a determinado acontecimento. Ela começa, tem seu auge e depois se encerra.

Para que isso de fato ocorra, devemos saber respeitar a nós mesmos e não insistir em culpar o outro por aquilo que nós estamos sentindo, afinal, aquilo a que resistimos, persiste.