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No início de 2017, foi amplamente divulgado na mídia os possíveis casos de suicídio de adolescentes envolvendo um jogo virtual chamado “Baleia Azul”.

O tema tomou conta das redes sociais e fortaleceu o debate em torno da questão que já havia sido inflamado pelo épico seriado 13 Reasons Why – traduzido em português para 13 Porquês.

A série produzida pela Netflix foi adaptada de livro do mesmo nome lançado em 2007 e gira em torno das razões que levaram a jovem Hanna Backer a cometer suicídio.

Antes de morrer, a adolescente grava fitas explicando porque cada uma das pessoas mencionadas nas gravações teve um pouco de influência na sua decisão de tirar a própria vida.

Assunto viral, o tema passou a ser debatido também dentro de instituições de ensino dada a repercussão do mesmo no que concerne à responsabilidade das escolas e faculdades no combate ao bullying.

De modo geral, qualquer ambiente de trabalho e convivência coletiva está suscetível a viver situação semelhante.

Fato é que para falar de 13 Porquês, eu poderia trazer à tona temas como violência contra a mulher, bulliyng, vingança, mentira, fofocas, drogas, bebida, invasão de privacidade, abuso sexual e tantos outros que fazem parte da vida de muitos adolescentes e adultos.

Contudo, quero trazer a reflexão para a realidade de cada um.

O que você já fez para alguém que o faria fazer parte dos motivos que levariam essa pessoa a cometer suicídio? Já pensou nisso?

As formas de ferir e as armas de ataque não precisam ser necessariamente materiais, tangíveis. Muitas vezes, o silêncio machuca mais que a navalha. Uma piada que pode parecer inocente, um deboche, um olhar.

Você já deixou alguém não mão ou se esquivou de prestar auxílio?

Lembre-se de que não somos responsáveis apenas por não fazer o mal, mas também por todo bem que deixamos de fazer.

Quantas vidas você já magoou com sua omissão? Quantas vidas você já feriu com sua ação impensada e equivocada?

Diversas coisas acontecem na vida das pessoas todos os dias e você não sabe nada a respeito. Seja gentil. A pessoa que você encontra hoje pode estar passando pela maior dificuldade de sua vida e só não sabe se comunicar.

Você pode ser a gota d’água no copo transbordando de desespero ou a mão que vai retirar essa pessoa do abismo. A opção é sua.

13 porquês viralizou porque sentimos na pele o preço de tanta exposição. A vida tornou-se um espetáculo midiático e o respeito perdeu espaço.

Talvez, antes de aprender a manusear smartphones, editar vídeos e conseguir o melhor ângulo de uma foto, devêssemos reaprender lições primárias de convivência humana como falar “bom dia”, “boa tarde”, “ boa noite”, “obrigada”, “por favor” e “com licença”.

É preciso reaprender a abraçar, a sorrir, a olhar nos olhos das pessoas com afeto.

E se toda ostentação da vida digital não for suficiente para preencher o vazio; e se todos os amigos das redes sociais não forem capazes de oferecer um ombro na dificuldade e, se mesmo diante de todas as alternativas acreditar-se só e que e existe apenas uma saída, lembre-se de que o vazio pode ser ocupado com trabalho no bem.

Existem pessoas que precisam muito da sua vida para continuar vivendo. Vá visitar casas de amparo, orfanatos, hospitais de câncer, asilos e também lugares de miséria extrema.

Algumas vezes, um choque de realidade basta para que no lugar de reclamar, passemos a agradecer.

Minha sugestão é simples! Comece a listar todos os motivos que você tem para viver. E se você alegar que não tenha nenhum, eu sugiro o seguinte: ter a força e a coragem para ser diferente das pessoas que o tratam mal, dando uma lição de moral pelo exemplo de dignidade.

A melhor vingança é a felicidade.