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Agonia talvez defina. Aflição também é uma boa palavra.

Soma-se angústia, dúvida e incerteza.

Eu tenho pra mim que a dúvida é a maior fraqueza de um homem (aprendi isso em um filme).

Shakespeare também dizia que “nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse nosso medo de tentar”.

Todo esse arsenal de emoções vem de mãos dadas para nos assombrar e exigir que tomemos uma posição sobre nossa vida.

Sabe aquele lance de dar um sentido para nossa existência?

Geralmente isso ocorre aos 17 ou 18 anos quando temos que escolher uma carreira profissional.

A julgar pela alta carga de autoconhecimento, inteligência emocional e noção de mundo que temos nessa idade, certamente estaremos aptos a tomar a melhor decisão.

Somos orientados a nos enquadrar dentro do padrão estabelecido pela sociedade e ali cortamos partes importantes de nossa essência para caber no espaço que nos é reservado. A vida medíocre começa a se desenhar e podemos prever sua trajetória retilínea.

Quem começa a morrer aí é a tal da criatividade, criança travessa que gosta de fazer mil coisas. Ela já tinha sido um pouco calada dentro da lógica cartesiana do ensino.  Ela continua a ser sufocada até a morte nesse joguinho de viver a vida de adulto.

Daí vem toda essa aflição e agonia. A dúvida: “Será que é isso mesmo”? Ou “Qual a minha missão ou propósito nessa vida”? “O que eu amo fazer”?

Na pressa e na necessidade do dinheiro, a gente se prende a um cartão de ponto e fica ali, na rotina assassina.

Mas nem todos conseguem tomar a pílula da vida robô. Alguns são rebeldes, mesmo que ainda sem causa.

Estas outras pessoas vão pulando de ocupação, aprendendo funções, esgotando possibilidades, explorando conhecimento, alimentando-se de informação.

Elas exercem a tarefa incansável de procurar seu espaço entre a multidão.

Elas sabem que há algo próprio delas mesmas, que se encaixa no seu perfil. Existe um espaço no qual elas não precisam se podar para fazer parte.

A princípio, se você olha a experiência de vida desse ser errante, terá a impressão de que você vê uma colcha de retalhos.

Já foi músico, jornalista, fez engenharia e agora cursa TI.

Já fez nutrição, é campeã de natação, virou blogueira e agora é secretária.

Não se angustie tanto. Não é tão complexo assim. Tudo que a gente vive e aprende fará sentido de forma una em nossa vida.

Não é não saber onde está indo. É simplesmente saber onde está. Às vezes, isto basta. Viver o momento presente e esgotar suas possibilidades.

Em algum momento futuro, todo aprendizado, toda experiência, tudo aquilo que nos acrescentou algo, vai formar um todo que nos dará mais clareza a respeito do nosso papel no mundo.

E não afirmo isso apenas considerando a vida profissional. Esta afirmação é verdadeira para a vida como um todo.

É muito comum nos questionarmos o porquê de determinada situação acontecer em nossa vida. E quem vai nos dar a uma das respostas mais adequadas que consegui encontrar a respeito dessas vicissitudes é Steve Jobs.

Ele afirma: “Você não consegue ligar os pontos olhando pra frente; você só consegue ligá-los olhando pra trás. Então você tem que confiar que os pontos se ligarão algum dia no futuro. Você tem que confiar em algo – seu instinto, destino, vida, carma, o que for. Esta abordagem nunca me desapontou, e fez toda diferença na minha vida.”

Você sabe que aquilo que você faz e aquilo que você vive farão sentido pra você. Você sabe que precisa aprender algo que lhe será útil futuramente.

Conecte os pontos que o trouxeram até este momento da sua vida e tire suas conclusões.

Será que foram experiências e conhecimentos isolados que fizeram de você o que você é? Ou será que na junção dos pontos sua vida faz mais sentido?

Você não tem como conectar a vida de hoje a um ponto que ainda não existe. Mas em algum momento, ela estará interligada a ele.

Se parece que sua vida está sem sentido, conecte os pontos. Uma vida sem sentido, às vezes, faz sentido.

Sendo assim, conheça-se mais.

Tenha clareza sobre seus valores, suas preferências.

Você pode não conseguir conectar os pontos olhando para o futuro, mas certamente, em algum momento, terá que decidir qual o próximo ponto a se conectar e, para isso, vai precisar de uma consulta com o maior especialista em você. Sabe quem é?

Abraços e até a próxima.