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Não raro desviamos nossas dores, carências e temores na direção de algum exagero, o qual esperamos preencher a lacuna que se faz em nossos corações.

Quando a aflição nos visita, buscamos a cura para a ferida no abuso do mundo exterior, sem nos darmos conta de que é no silêncio do interior que poderemos encontrar a resposta que procuramos.

E assim vamos radicalizando o visual, trabalhando em demasia, desviando a atenção com a bebida, consumindo o dobro de comida. Busca-se drogas, tratamentos, divertimentos de toda natureza. O que fica, todavia, é a certeza do vazio.

Eu tenho pra mim que todo excesso é sobra de algum vazio.

Cultivamos paixões, distrações, hobbies. Inventamos planos insanos na busca por não encarar a realidade. Assim, aprimoramos nossa especialidade: maquiar soluções frágeis, fantasiar a verdade com placebos sociais.

Pode prestar atenção, quando há algo errado na emoção, no coração, é natural do ser humano refugiar-se, abrigar-se em algo que se transforma em sua bengala para a vida e a resposta para tudo. Parece ter achado o Eldorado.

Se pensarmos por esse lado, até a religião torna-se alvo. Fundamentalismo, preconceito, radicalismo, julgamento e condenação do crime do outro para não admitir o assassinato de nossas próprias emoções.

O ser humano não sabe encarar a frustração. Poucos são aqueles que já aprenderam a ouvir um não. Para a maioria, a vida precisa ser uma eterna crônica do bem estar, da felicidade para se postar na rede, da alegria incontida que todos precisam acreditar existir.

Vítimas de nós mesmos, condenamo-nos às prisões que a vida oferece. Prendemo-nos a pessoas, a tratamentos, a religiões, a soluções mágicas para aliviar a dor que nos aflige. A única questão é: de quanta dor precisamos de fato para deixar a prisão e encarar a realidade?

Sendo assim, repito: não é preciso ir muito longe para perceber que algumas pessoas buscam refúgio no álcool, nas drogas, nas baladas, nas futilidades que o dinheiro pode comprar, nas paixões, nos relacionamentos sem amor, nas amizades destrutivas, no estudo, no trabalho, na comida e em tantas outras distrações que as impedem de ver e compreender o óbvio: a única resposta possível para as aflições e inquietações que assolam a alma humana encontra-se nelas mesmas.

Qual a sua atual muleta para a dor? Para onde você desvia a atenção quando não quer ver a realidade da sua vida? Em que ou quem você deposita sua expectativa de felicidade e paz? Saiba apenas que a resposta a essa pergunta deveria ser: em você mesmo.