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A vida tem inúmeras maneiras de nos ensinar as lições que precisamos aprender para crescer emocionalmente. E sua forma de ensinar nem sempre é a mais sutil.

Você provavelmente já ouvir falar que se alguém precisa de paciência, a vida vai criar o contexto necessário para ensinar na prática como desenvolver essa virtude.

Geralmente, coloca-nos diante de uma situação que nos gera ansiedade e sobre a qual exercemos controle nenhum. Daí, vamos construindo a bendita paciência.

Uma das lições preferidas que a vida gosta de ensinar é sobre apreciar a solidão, saber ficar só, desfrutar da própria companhia.

Para algumas pessoas, isso é tão traumatizante que o simples pensar em ficar a sós consigo, dispara o gatilho da ansiedade e elas se submetem a milhares de situações por não suportarem a si próprias.

No fundo, elas desejam se amar, mas não sabem como fazê-lo.

Elas até querem um pouco de paz, sossego e tranquilidade.

Elas até querem a liberdade de não ter que falar sim pra tudo em troca de um pouco de atenção, contudo, elas sabem que quando não houver nada além do silêncio e delas próprias, elas terão que enfrentar monstros, fantasmas, traumas e feridas que já estão acomodados dentro delas.

Covardia? Sim. Mas não deixa de ser também falta de recursos para lidar com aquilo que elas temem e/ou que foi abafado em algum momento de suas vidas, algo que gerou sofrimento, angústia e muita dor.

Será que a dor de não se suportar não é maior e mais humilhante?

Fugindo da solidão, elas se submetem a relacionamentos abusivos buscando ocultar suas carências e a conter o grito interno que deseja revelar feridas ainda não curadas e medos escondidos no obscurantismo do inconsciente.

Elas aceitam o inaceitável, doam seu tempo, seu dinheiro, sua atenção e sua vida em troca de um pequeno espaço na vida de alguém para preencher a carência criada com o vazio deixado por ela própria.

E se lhes falta a companhia necessária à sobrevivência, apelam para a auto piedade e a lamentação, afirmando que ninguém as ama e ninguém as quer, quando na verdade precisam aprender a se amar e a se querer, a sair pra passear consigo, a oferecer-se um presente, um jantar.

Todavia, o medo de se deparar com as feridas é tão grande que fica mais fácil jogar a culpa no outro pela indiferença forjada em sua visão deturpada pela carência, quando na verdade, a maior indiferença está sendo praticada por elas mesmas, quando se recusam a ouvir o que essa voz interna quer dizer.

Se eu não me suporto, porque vou impor a minha presença pedante a outra pessoa? Será que isso é amor ou amizade, oferecer ao outro o que não quero nem para mim? Ou será que quem se apresenta não são elas e sim a personagem inventada para see aceita?

Quanto mais abafam esse grito ou tentam ocultar suas feridas, mais sufocados ficam e mais intensa será a dor.

Jamais enfrentaremos o mundo se não começarmos a enfrentar a nós mesmos.

Permita-se o desafio de encarar sua própria companhia.

Ninguém tem o poder de preencher em você o espaço que você mesmo deixou.

Borboleta alguma voou sem enfrentar a solidão do casulo.

Dani Medeiros