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Talvez a melhorar maneira de responder a essa pergunta seja usando o exemplo da sabedoria da natureza e, para isso, cabe um novo questionamento:

Você sabe qual a semelhança entre a lagosta, a cobra e a borboleta?

Não?

As 3 passam por um intenso processo de transformação e rompem suas formas corporais para evoluir.

A lagosta, quando cresce, não cabe mais na carapaça que a protege. O mesmo acontece com a cobra em sua pele. Já o processo de transformação da borboleta é mais conhecido, pois a lagarta deixa o casulo alçar um lindo voo.

Fato é que esses três processos e tantos outros que acontecem na natureza podem nos ensinar várias coisas sobre a vida, sobre a solidão e sobre a dor.

A depender do nosso processo evolutivo, vai chegar um momento em que precisaremos nos desfazer das roupas que não cabem mais em nossos corpos, parafraseando Fernando Pessoa.

Chegará a hora em que para seguir, precisaremos deixar parte da bagagem. Precisamos deixar crenças, comportamentos, hábitos e até pessoas. E eu posso afirmar que, na maioria dos casos, esse será um processo solitário.

É como retirar uma capa para dar espaço a uma nova apresentação do seu eu. É como renascer para sua própria existência. É sair novamente do ventre para o mundo, lançando mão de tudo que não cabe mais nessa nova existência. É como um convite à introspecção e à reflexão.

Na medida em que vivemos e vamos construindo nossas relações, adquirindo aprendizados e experiências, vamos também evoluindo emocional, intelectual e espiritualmente. Toda carga que adquirimos vai sendo acumulada e transformando nossa forma de ver o mundo e, principalmente, de reagir a determinadas situações.

Muitas vezes, não nos conhecemos em nossas próprias ações e respostas a circunstâncias que outrora seriam tratadas de maneira distinta.

A força que vai romper os limites autoimpostos e que já tomaram a forma do nosso corpo virá de dentro, como algo que não consegue mais se moldar à carapaça habitual.

E é nesse processo que nos parecemos às cobras, lagostas e borboletas, que rompem os limites através de um crescimento interior.

Esse processo não ocorre sem dor. Abandonar a nossa forma anterior significa desfazer de certezas, verdades, pessoas e principalmente do ego. É como morrer e renascer.

Dói muito. Dói perdoar, dói aceitar um não, dói lidar com a mágoa, dói aceitar ir, dói. Mas a dor maior é ficar preso na forma anterior, sufocado dentro de um calabouço.

Em determinados estágios de nossas vidas, quando sabemos que podemos crescer e ir além dos muros que nos limitam, precisamos seguir e deixar, literalmente, muitas coisas para trás.

E como romper essa barreira e ser livre? São dois recursos mais especificamente: resiliência e flexibilidade.

É preciso ser mais forte que a sua autolamentação diante daquilo que não está no seu controle. Aprenda com o passado e deixe-o ir. Olhe pra frente. Crescer exige que seu emocional seja de adulto e não de uma criança birrenta reclamona que quer tudo exatamente do jeito dela. Existem problemas cuja solução depende da sua capacidade de seguir em frente. Sem mais.

Jamais arrisque sufocar a dor e fingir que ela não existe. A dor é um importante convite à transformação. Se está doendo é porque você está com uma grande oportunidade em mãos. Aproveite e cresça, voe como uma borboleta ou permanecerá se arrastando como uma lagarta. O que você prefere ser?