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Não é fácil ver alguém sofrer, especialmente alguém por quem nutrimos algum sentimento.

A dor do outro comove, gera compaixão e até desperta afeto nos corações mais aquecidos.

Essa sensação é própria do humano que leva consigo o instinto protetor. Mas isso tudo pode ser uma grande armadilha para quem sofre e para quem acolhe.

A proximidade com a dor do outro pode gerar uma dependência retroalimentada pela própria dor. Como assim?

Aquele que sofre percebe que sua dor é um imã para a atenção dos outros, um meio para que ele receba carinho e tenha a companhia para soltar suas lamentações. Se a dor passa, se o problema vai embora, acaba a oportunidade de fazer chantagem emocional e alimentar sua carência com a compaixão alheia.

Algumas pessoas simplesmente não querem deixar de sofrer porque é este sofrimento o grande responsável por abafar o grito das dores não resolvidas e que precisam continuar doendo para ela ter a chance de chamar atenção.

É por meio do sofrimento que esta pessoa tem a chance de dizer o quanto a vida foi injusta com ela ao invés de perceber que ela própria não soube aproveitar as oportunidades da vida.

É através dessa dor que ela vai mostrar o quanto é carente e solitária e não como ela se nega a entender que as pessoas vão passar o resto da vida reclamando de solidão enquanto não aprenderem a conviver em sua própria companhia.

São os problemas que a atormentam, o não que ela recebeu, as armações que a derrubaram, o outro que a prejudicou e nunca ela que não soube desenvolver a resiliência e a flexibilidade.

Identificar pessoas assim tornou-se muito fácil. Elas vivem para reclamar e lamentar da vida. Se você afirma ter um problema, ela vai interromper sua fala para dizer que o problema dela é muito mais grave e crítico.

Esse tipo de pessoa costuma falar mal de tudo e, principalmente, essas pessoas não sonham, não planejam ou, pelo menos, não acreditam mais. Isso é o pior que pode acontecer a um ser humano: a morte da esperança.

A morte da esperança significa uma prisão, pois você está preso no momento presente com as dores de um passado e sem expectativa de futuro. Cuidado para não se prender nesse calabouço com esses sofredores.

Eu não estou dizendo que você não deva ajudar quem precise. Só estou alertando que algumas pessoas não querem ajuda e sim muleta. Não seja muleta.

Por mais afeto e carinho que você possa nutrir, entenda que a dor do outro é DO OUTRO e somente ele pode aprender as lições que precisa aprender para se libertar.

Por maior que seja o seu amor, você jamais poderá viver as experiências destinadas a outra pessoa. A jornada de cada um é individual e intransferível. Amar também significa deixar que cada um siga seu caminho.