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Quem nunca foi mordido pelo bichinho da preguiça e resolveu deixar para depois alguma atividade ou obrigação? Na maioria das vezes, esse depois vai ficando cada vez mais longe até alcançar o limite do tolerável e aí começa o desespero para fazer o que deveria ter sido feito há muito tempo.

Geralmente acontece com trabalhos de escola ou faculdade, relatórios ou solicitações do trabalho e tarefas cotidianas.

O grande problema é quando a procrastinação sai dessas “pequenas” situações e ganha dimensões mais abrangentes e começamos a deixar pra depois o exame médico, os exercícios, o curso que vai impulsionar a carreira, a viagem dos sonhos, a mudança de trabalho, aquela conversa definitiva e tantas outras coisas que impactam diretamente em nossas vidas.

Quando a preguiça e a procrastinação viram padrão de comportamento é porque o cérebro se habituou a deixar tudo para depois. Sendo assim, não existe mágica. A única maneira de abandonar um hábito é substituí-lo por outro.

Quando empurramos esses “problemas” para frente, além de mandarmos uma mensagem para o cérebro de que nossa vida pode esperar e que não é tão importante assim, estamos também carregando peso de pendências que dificultam nossa caminhada.

É como se fossemos subir uma montanha íngreme com uma mochila cheia de bolas de boliche.

Além de tudo isso, ficamos com a consciência pesada por ter deixado tudo pra depois até arrumarmos a desculpe de que já ficou muito tarde para fazer o que deveria ter sido feito.

Pare agora e questione-se: o que você tem empurrado pra frente? Quais as bolas de boliche que estão dentro da sua mochila?

Por que tem procrastinado? Preguiça? Medo? Insegurança? Dúvida?

Vamos por partes.

Se o problema for a preguiça, como eu já adiantei, seu cérebro está habituado a essa prática. Isso significa que ele já criou conexões neurais bastante fortes que reforçam esse comportamento.

Agora, você precisa criar novas conexões tão fortes quanto as anteriores e que se sobressaiam a ela. E como se faz isso?

Criando um novo hábito.

É claro que não é simples, mas vou te dar alguns gatilhos para isso.

DOR E PRAZER

O primeiro deles é aprender a usar a dor e o prazer. Hoje, ao procrastinar você tem um prazer e provavelmente sente alguma dor (desconforto) de fazer o que deveria.

Agora, vamos pensar. Você precisa ter a consciência de que a dor que sente hoje ao fazer o que deveria é muito pequena se comparada a dor que você vai sentir no longo prazo por não agir. Da mesma forma, o prazer que você sente ao não agir é menor que o prazer que você vai sentir no futuro quando tiver feito o que deveria.

Então, imagine o cenário no longo prazo comparando dor e prazer. Qual o pior cenário se não fizer? Qual o cenário se fizer?

PROPÓSITO

O segundo gatilho é vincular aquilo que você precisa fazer a um propósito inabalável, algo que seja de suma importância pra você que chegue a se tornar uma obsessão. Você precisa querer “a qualquer custo”, respeitando, é claro os valores essenciais.

Você precisa ter um objetivo maior do que só fazer aquilo. Por exemplo, você pode até querer finalizar o trabalho da faculdade, mas ele por si só pode não significar nada pra você. Agora este trabalho dentro de um plano de terminar a faculdade, fazer sua pós no exterior e alcançar aquele cargo dos sonhos torna-se um pequeno passo dentro de um grande objetivo, mas que nunca se concretizará se você não fizer o aparente insignificante trabalho.

TRANSFORME EM METAS

Suas pendências podem ser transformadas em novas metas? Isso ainda é importante pra você? Aquilo que você deixou de fazer ainda faz sentido na sua vida? Se sim, coloque no papel o que exatamente você precisa fazer, quanto tempo vai levar, verifique o impacto em todas as áreas da sua vida, segmente a grande meta em pequenas metas, identifique os indicadores de que você está no caminho certo e saiba quanto tempo em média vai levar para fazer o que precisa.

RECURSOS

O quarto gatilho é a consciência dos recursos necessários para agir. Você sabe do que você precisa? Às vezes você não está agindo porque sua indisposição é decorrente de algum problema físico (anemia gera cansaço, por exemplo). Às vezes você precisa de mais tempo e disciplina para organizar suas atividades. Pode ser que você precise de recursos financeiros ou de disposição. Você tem consciência dos recursos que você precisa para agir?

REPETIR, REPETIR E REPETIR.

Lembre-se de que um hábito é vencido pela repetição. Quanto mais você fizer, mais vai perceber que está criando um novo padrão. Então, faça e repita incansavelmente.

Esses são alguns gatilhos úteis para vencer a preguiça e a procrastinação.

Agora, e se eu procrastino porque tenho medo ou algum tipo de dúvida ou insegurança? Neste caso, entendemos que se você deixa de fazer algo por medo, é realmente necessária ajuda profissional, pois ter medo é bastante normal, agora medo que o impeça de agir já pode ser considerado fobia e então, a ajuda de um profissional especializado é de suma importância.

No caso da dúvida, o jeito é aprender a correr riscos calculados. Por exemplo, vamos supor que você tem dúvidas a respeito da carreira que quer seguir e está procrastinando uma decisão porque ainda não sabe o que quer da vida. O melhor caminho seria começar com pequenos passos e fazer testes. Teste os cenários. Comece aos poucos e experimente os resultados estando no controle.

Lembre-se que não decidir já é uma decisão.

Escolha como começar e vá.